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O Acompanhante Terapêutico e o Idoso

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Resumo: articular as práticas que compreendem o acompanhamento terapêutico com os cuidados da população idosa é o objetivo deste trabalho. Desta forma apresentarei uma breve definição das atribuições do AT e algumas especificações desta prática em relação à população alvo. Um breve esboço de algumas características típicas desta fase etária também será apresentado, com o intuito de evidenciar algumas situações que demandem tal prática.

Palavras- chave: Acompanhamento Terapêutico, idoso, atribuições.

O acompanhante terapêutico e o idoso

DESENVOLVIMENTO

As questões referentes ao envelhecimento humano têm ganhado cada vez mais destaque em diversas pesquisas e estudos que enfocam os aspectos biopsicossociais do idoso. Na medida em que a população idosa aumenta, se faz necessárias intervenções que ajudem o idoso a manter sua qualidade de vida, tanto física como emocional, possibilitando meios de atingir uma maior independência e autonomia.

As mudanças que acontecem ao longo da vida (físicas, psíquicas e sociais) são um processo normal do envelhecimento, que incluem a diminuição da visão, da audição, e da locomoção, problemas digestivos, alguma perda de memória, que normalmente não geram dificuldades nas atividades diárias do idoso, mas muitas vezes, quando esse declínio resulta em perdas patológicas e ou invalidez, exigem uma conduta diferenciada por parte de familiares e cuidadores, na busca de um profissional capaz de proporcionar uma melhor qualidade de vida ao seu idoso.

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Este profissional se faz presente na prática do Acompanhamento Terapêutico, funcionando como intermediário e interlocutor, um agente facilitador, auxiliando o indivíduo em suas dificuldades e em situações-limite. O Acompanhante Terapêutico atua dentro de um enfoque interdisciplinar, junto a outros tratamentos, realizando sua prática na própria residência do idoso, na rua, em locais em que o idoso frequenta, enfim fora do consultório.

Com o avanço da idade, a pessoa necessita cada vez mais da proximidade de alguma outra pessoa, quer por necessidades físicas, quer por necessidades psíquicas. E, geralmente é na família, que ela deposita seus anseios e angústias.

Estas relações entre o idoso e seus familiares, passam por momentos de crise, piorando muito nos casos em que o idoso venha a ficar doente e extremamente dependente, o que gera grande sofrimento para ele e sua família.

O AT pode ser um forte aliado para os idosos, em especial no início de alguma doença, quando o próprio idoso percebe alguns de seus sinais, principalmente a perda de memória e se sente muito angustiado por não se lembrar das coisas. Com o avanço da doença os familiares são os que mais sofrem com as alterações de humor e lapsos de memória de seus queridos parentes.

Eles precisam cuidar do idoso, mas também precisam de ajuda para garantir seu bem-estar pessoal. Constata-se então, que as “dificuldades da família” constituem um fator para o encaminhamento para AT, principalmente naquelas famílias nas quais estão presentes características como falta de disponibilidade, vínculos atribulados e falta de paciência.

Desta forma, os familiares podem experienciar o estresse, conforme observam Lee e Gotlib (citados por Brito & Dessen, 1999), como resultado da frustração e sobrecarga nas atividades diárias.

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Nestes casos, o AT serviria como uma alternativa para realizar atividades relacionadas à atenção e ao cuidado do paciente, que a família não consegue desempenhar por percebê-las como incômodas ou onerosas.

O AT além de buscar alternativas para minimizar o sofrimento do idoso e de seus familiares através da escuta, poderá auxiliá-lo na locomoção, e em atividades que o mesmo se sentir debilitado e desta forma ser considerado um “interlocutor” de seus anseios, e assim, ir descobrindo, através de um contato íntimo, todas as suas questões, para juntos tentarem transformar sua vivência (BARRETO, 1988).

Assim, o Acompanhamento Terapêutico é o dispositivo clínico que se destina ao tratamento de pessoas cujo sofrimento, agudo ou crônico, justifique intervenções em suas atividades cotidianas nos espaços públicos e privados, onde os AT atuam freqüentemente, em parceria com redes de profissionais, de forma a facilitar o diálogo e entendimento entre o sujeito acompanhado, a família, e a equipe multidisciplinar.

O AT proporciona suporte necessário ao idoso, por meio de acolhimento, amparo e sustento, realizando um trabalho de elaboração das perdas físicas, sociais e psicológicas, ao mesmo tempo, lidando ambiguamente, com os ganhos em que vão adquirindo ao longo de suas vidas, ou seja, experiências que só são conquistadas, vivendo este processo. Portanto, tentando restabelecer o equilíbrio perdido, que resulta em uma melhora na auto-estima. Isto se torna possível, pela escuta diferenciada do AT, pelo suporte e pela presença física do acompanhar e pelo desejo de estimular a ressignificação da vida do paciente. Tudo isso calcado no conhecimento da história de vida do sujeito, de suas relações familiares e do meio social ao qual pertence.

Muitas vezes o idoso encontra-se em uma situação passiva, fator este que deverá ser observado pelo AT, possibilitando o uso de atividades singulares a cada caso, e onde seja possível criar intercâmbios com as realidades do paciente. Isto fará com que haja uma alteração da situação passiva, permitindo-lhe aceitar mudanças, o que é fundamental para que se estabeleça um vinculo positivo com o acompanhante.

Uma das tarefas do AT é realizar atividades com o idoso que lhe proporcione uma melhora de seu quadro, seja no ambiente social seja em sua casa. As intervenções devem ser direcionadas para os problemas específicos que o paciente apresenta, tais como as relacionadas às incapacidades funcionais, buscando-se a autonomia e autogerenciamento de sua vida.

O envelhecimento é um fenômeno biológico, psicológico e social que atinge o ser humano na plenitude de sua existência, caracterizado pelas dificuldades adaptativas, tanto emocionais quanto fisiológicas. Quando se torna difícil lidar com este processo, encontramos o AT, que tem um papel fundamental, no sentido de contribuir para que o idoso elabore dentro de suas possibilidades, ressignificação de suas perdas, lutos, incapacidades e redirecione seus desejos para o novo, valorizando sua auto-estima e garantindo a abertura de novos espaços de socialização.

CONCLUSÃO

É preocupação constante do ser humano e inata à sua existência, o bem estar e a preservação da saúde.

A busca contínua de uma vida saudável, indissociável das condições do modo de viver, são estratégias que se associam à saúde mental.

O Acompanhamento Terapêutico como prática de promoção de qualidade de vida e de orientação às famílias envolvidas tem o seu destaque.

A terceira Idade, fase do ciclo vital tão vulnerável a declínios por sua condição, é uma demanda de grande relevância para a prática do AT. Com o aumento desta população e a vida cada vez mais tumultuada das famílias, este acaba por ficar abandonado e vulnerável as dificuldades inerentes da sua fragilidade.

É neste contexto que a atuação do AT, vai fazer a diferença. Propiciar atividades e intervenções que direcionem para os problemas específicos que o paciente apresenta, tais como as relacionadas às incapacidades funcionais, visando a autonomia e autogerenciamento são fundamentais e eficazes. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. BARRETO J.Aspectos Psicológicos do Envelhecimento. Psicologia, 1988: VI (2)159-70.
  2. BRITO, A. M. W. & DESSEN, M. A. (1999). Crianças surdas e suas famílias: um panorama geral. Psicologia Reflexão e Critica, 12(2), 429-445. Disponível em: <http://www. scielo.br>. (Acesso em 16/11/2011).
  3.  MAIA, LFS. Saúde do Idoso e o Envelhecimento: uma revisão de literatura. Enfermagem. São Paulo, outubro de 2008. Disponível em: http://www.webartigos.com  (Acesso em 14/11/2011).
  4. PALOMBINI, ANALICE: BELLOC, MARCIA; CABRAL, KAROL, Acompanhamento Terapêutico: vertigens da clínica no concreto da cidade, Estilos da Clínica. Revista sobre a Infência com Problemas. São Paulo, 2005
  5. PALOMBINI, ANALICE Acompanhamento Terapêutico: Dispositivo Clinico Político. Universidade de São Marcos, São Paulo, 2006.

Autora

Rosângela Rangel de Carvalho – Psicóloga CRP 22100, graduado em Psicologia (ULBRA /RS). Formada no “Curso de Capacitação em Acompanhamento Terapêutico” (CTDW). E-mail: [email protected]

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