O Fazer Andarilho: O Acompanhante Terapêutico Como Um Agente Político


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O Fazer Andarilho: O Acompanhante Terapêutico Como Um Agente Político

Palestra proferida na mesa redonda “Historia y desarrollo del Acompañamiento Terapéutico en Ibero América” em 30 de novembro de 2003 em Buenos Aires (Argentina) no 3º Congresso Argentino e 1º Congresso Ibero-americano de AT.

RESUMO: O presente trabalho busca ampliar a idéia de Acompanhamento Terapêutico (AT) para além de uma psicoterapia centrada no paciente. Busca mostrar outras possibilidades dessa prática que acontece nos possíveis campos de circulação do acompanhado. Para ampliar a idéia de Acompanhamento Terapêutico para além de uma exclusiva terapia faço algumas articulações teóricas, principalmente com o conceito de DISPOSITIVO de Michel Foucault. Além desse filósofo, busco outros parceiros tais como: o biólogo chileno Humberto Maturana e o filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Uso esses autores para colocar em ação uma possível construção coletiva de “múltiplas verdades” sobre os movimentos inusitados encontrados-criados nas andanças dessa atividade do AT. Por fim, esse trabalho divulga um outro AT: o “fazer andarilho”. Um tipo de Acompanhamento Terapêutico que está participando ativamente na construção de uma outra cidade, outra forma de fazer “clínica ampliada”, pesquisa em saúde, outra maneira de se relacionar com a mídia, a política, o cinema e também com o sujeito acompanhado em AT. Enfim, o que se busca aqui é mostrar uma ética dos encontros com os inusitados da vida, para divulgar uma aposta na criação múltipla do cotidiano, não só do acompanhado, mas de todos que participam dessa circulação, desse Acompanhamento Terapêutico, desse “fazer andarilho”.

PALAVRAS-CHAVE: fazer andarilho, Acompanhamento Terapêutico, promoção de saúde, dispositivo. 

 

 

Hacer andarilho: el compañero terapéutico como a agente político.

 

RESUMEN: Lo actual trabajo busca ampliar la idea del Acompañamiento Terapéutico (AT) para más allá un psycotherapy centrada en el paciente. Busque para demostrar otras posibilidades de este práctico que sucede en los campos posibles de la circulación del sujeto. Para ampliar la idea del acompañamiento terapéutico para más allá una terapia exclusiva hago algunos empalmes teóricos, principalmente con el concepto del DISPOSITIVO de Michel Foucault. Más allá de este filósofo, busco a otros socios por ejemplo: el biólogo chileno Humberto Maturana y el filósofo alemán Friedrich Nietzsche. Utilice a estos autores para poner en la acción “verdades colectivas” posibles de los multiple de una construcción en el ensamblar-criado inusual de los movimientos en andanças de esta actividadel AT. Finalmente, este trabajo divulga uno otro AT: el “hacer andarilho” (“fazer andarilho”). Un tipo de acompañamiento terapéutico que está participando activamente en la construcción de una otra ciudad, otra forma para hacer el “clínica extendida” (“clínica ampliada”), investigación en salud, otra manera de si se relacionó con los medios, la política, el cine y también con el sujeto en AT. En el último, cuál las reflexiónuno aquí son demostrar el ética de la reunión con las inusuales de la vida, divulgar appositive en la creación múltiple de la diaria, no sólo del sujeto en AT, sino que de eso participan de esta circulación, de este Acompañamiento Terapéutico, de este “hacer andarilho” (“fazer andarilho”).

PALABRAS-LLAVE: hacer andarilho, acompañamiento terapéutico, promoción de la salud, dispositivo.

 

 

Make walker: the therapeutical companion as a agent politician.

 

ABSTRACT:The present work searchs to extend the idea of Therapeutical Accompaniment (AT) for beyond a psycotherapy centered in the patient. Search to show other possibilities of this practical that it happens in the possible fields of circulation of the folloied one. To extend the idea of Therapeutical Accompaniment for beyond an exclusive therapy I make some theoretical joints, mainly with the concept of DEVICE of Michel Foucault. Beyond this philosopher, I search other partners such as: the chilean biologist Humberto Maturana and the German philosopher Friedrich Nietzsche. Use these authors to place in action a possible collective construction of multiple truths on the unusual movements joined-servant in walk of this activity of the AT. Finally, this work spread one another AT: The “fazer andarilho”. A type of Therapeutical Accompaniment who is participating actively in the construction of one another city, another form to make “extended clinic” (“clínica ampliada”), research in health, another way of if relating with the media, the politics, the cinema and also with the folloied citizen. At last, what one searchs here is to show ethics of the meeting with the unusual ones of the life, to divulge an appositive one in the multiple creation of the daily one, not only of the folloied one, but of that they participate of this circulation, of this Therapeutical Accompaniment, this “fazer andarilho”.

KEY WORDS: Make walker, therapeutical accompaniment, promotion of health, device.

Therapeutic Accompaniment

O Acompanhamento Terapêutico vem sendo pensados há muito tempo (no mínimo desde 1950) como um recurso clínico de tratamento de pacientes diagnosticados como psicóticos.

Ou seja, podemos perceber que o AT vem sendo tomado como um recurso de socialização, adaptação, reintegração de uma pessoa que é vista como fora da norma.

Com esse tipo de pensamento o profissional “psi” toma como sua tarefa a intervenção de recolocar o “louco” novamente no sistema, torná-lo funcional (para quem?).

Agindo desse modo, mesmo sem pensar, o clínico não coloca em xeque o funcionamento desse sistema social. Toma a lógica social como algo dado de antemão, naturaliza a cultura na qual vive (ou seja, o profissional também se adapta).

Quando as lógicas estão tão bem naturalizadas cabe fazer algumas questões, tais como: Será que o acompanhado deve sempre ser adaptado? Devemos intervir apenas no dito paciente? Será que é só isso que podemos fazer como acompanhantes terapêuticos? Há vida do AT para além de uma psicoterapia centrada no paciente que é rotulado de anormal, fora da ordem? Como está a nossa produção de “verdades”? Que sociedade é esse que vivemos-criamos-defendemos? A sociedade está muito boa, é o louco que tem de se adaptar a ela?

 

O ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO PODE SER PENSADO PARA ALÉM DE UMA PRÁTICA PSICOTERAPÊUTICO CENTRADA NO PACIENTE?

Para refletir sobre essas questões gostaria de retomar a articulação que venho desenvolvendo há algum tempo (desde 1999) entre a Filosofia de Foucault e o Acompanhamento Terapêutico. Como foco conceitual gostaria de problematizar o dispositivo. Creio que esse conceito abre um ângulo (sem fim) de possibilidade de aproveitamento dos movimentos, processos inusitados vividos na “rua” [1].

 

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O QUE É O DISPOSITIVO?

Dispositivo, conceito cunhado por Michel Foucault, é tudo aquilo que provoca algo (não só a produção de disciplina, controle, mas também o relativizar das “nossas crenças”, então o dispositivo também pode ser terapêutico).

O dispositivo seria um provocador das estruturas instituídas, das “verdades”.

O próprio Foucault (1999: 244, grifo meu) pode falar desse conceito:

“Através deste termo (dispositivo) tento demarcar, em primeiro lugar, um conjunto decididamente heterogêneo que engloba discursos, instituições, organizações arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas. Em suma, o dito e o não dito são os elementos do dispositivo. O dispositivo é a rede que se pode estabelecer entre estes elementos. (…) entre estes elementos, discursivos ou não, existe um tipo de jogo, ou seja, mudanças de posição, modificações de funções, que também podem ser muito diferentes”.

Um dispositivo pode ser tão potente que produzirá outros dispositivos em sequência.

O simples entrar em contato com um dispositivo poderá levar a alterações fundamentais na vida dos envolvidos no processo.

O “dispositivo terapêutico” afirma-se como tal na medida em que incentiva processos de criação de maneiras outras de vivermos a vida.

Resumidamente, diria que por “dispositivo terapêutico” entendo um conjunto de forças que podem produzir processos que coloquem em movimento a vontade de viver dos sujeitos, não só os acompanhados; mostrando outros rumos possíveis para as “verdades” que carregamos, e desse modo, outros rumos também de circulação de nossos campos de ação.

O dispositivo atua em todos que entram em contato com ele, provoca mudanças fundamentais que podem abalar o que até então era tido como “eternamente estável” (eterno e natural).

No afetar do “eterno” e “natural” poderá se dar a ampliação do modo como enxergamos os processos que vivemos. Ou seja, um dispositivo pode provocar um ampliar da nossa maneira de criar a/na vida.

 

Mas como fica a filosofia dos dispositivos?

Quando falamos na filosofia dos dispositivos estamos fazendo uma referência direta à leitura que Deleuze (1996) faz do conceito de dispositivo de Foucault (1999). Viver esse tipo de Filosofia implica pelo menos duas consequências, que estão diretamente interligadas:

  • Trabalhar com repúdio aos universais (aos naturais).
  • Descolar o submisso do Eterno e embarcar na criação do novo.

Essas duas consequências, ao meu ver, divulgam uma ideia fundamental de desnaturalização. Ou seja, a filosofia dos dispositivos propõem um processo constante de desconstrução[2] dos elementos (“verdades”) e das situações vividas como naturais.

Esse movimento mostra que podemos agora tomar como fabricados os processos que participamos (fabricamos).

A partir dessa ideia, podemos recolocar as “verdades” nos seu lugar… de fabricadas historicamente, datadas, não universais. E por serem fabricadas são não eternas.

Com isso abrimos uma abertura para o novo, pois repudiar o universal e eterno é crer que somos criaturas e criadores da vida que vivemos e, justamente por isso, poderemos embarcar no inusitado, no novo, no diferente. A filosofia dos dispositivos reforça a perspectiva de viver a vida como uma obra de arte, como diz Foucault.

 

O ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO

O Acompanhamento Terapêutico é uma prática que teve o seu nascimento, provavelmente, muito antes dos anos 1950. Considerando o resgate histórico de Mauer e Resnizky (1987), podemos dizer que o “nome” AT foi criado em 1971 na Argentina. Se essa data for tomada como verdadeira, esse rótulo hoje (2003) está com 32 anos de idade.

No seu primeiro “batizado” recebeu o nome de “amigo qualificado”. Mauer e Resnizky (1987: 35, 37, 39) podem “falar” elas mesmas desse momento:

“Em 1971 começamos a trabalhar numa equipe especializada nas denominadas terapias de abordagem múltiplas. Esta equipe tomava a seu cargo pacientes severamente perturbados, que, em geral, procuravam as consultas em momentos de crise. (…) O trabalho do acompanhante terapêutico (…) Surgiu como uma necessidade clínica em relação a pacientes com os quais as abordagens terapêuticas clássicas fracassavam. (…) o papel do acompanhante terapêutico teve suas origens na Argentina (…) Numa primeira etapa, Eduardo Kalina optou por chamá-lo de ‘amigo qualificado’. A mudança de denominação não foi um fato trivial. Implicou uma mudança quanto à delimitação e ao alcance do papel. (…) Quando se empregava a expressão ‘amigo qualificado’, acentuava-se , como é evidente, o componente amistoso do vínculo; no entanto, ao substituir-se aquela pela atual denominação, acentuou-se o que de terapêutico tinha este tipo de função…”.

Como se pode ler nessa citação, no começo o Acompanhamento Terapêutico se mostrava como um recurso clínico das psicoses, que ia de encontro a uma lógica que desejava deixar a pessoa que é rotulada de louca dentro de hospitais psiquiátricos. Ou seja, desde sua origem o AT mostra essa ruptura com o “modelo de saúde” que busca isolar, controlar para depois “tratar”.

O Acompanhamento Terapêutico nasce com essa vontade de acompanhar o sujeito (rotulado de louco ou psicótico) pelas ruas da cidade. Ou seja, buscava tratar o doente que estava isolado do convívio social. Essa idéia ainda continua sendo usada hoje em dia. Mas creio que é importante marcar algumas transformações dessa função do AT. Interessante resgatar as funções do Acompanhante Terapêutico segundo a visão das profissionais Mauer e  Resnizky (1987: 40-42): “1) Conter o paciente; 2) Oferecer-se como modelo de identificação; 3) Emprestar o “Ego”; 4) Perceber, reforçar e desenvolver a capacidade criativa do paciente; 5) Informar sobre o mundo objetivo do paciente; 6) Representar o terapeuta; 7) Atuar como agente ressocializador e 8) Servir como catalisador das relações familiares”. Com essas funções podemos perceber que essa prática era (e ainda é) tomada como um recurso de intervenção apenas no sujeito acompanhado que é tido como “fora da ordem”, o louco. Ou seja, apesar de tentar escapar da lógica do hospício, em certos momentos mantém a intervenção num sentido único e exclusivo, no acompanhado (ou paciente). Hoje tenho a “crença” de que podemos ir bem além dessas funções (psicoterapêuticas) do Acompanhamento Terapêutico e até colocá-las em xeque.

No decorrer do seu processo o AT era visto como uma clínica das psicoses, após anos de experiências o raio de ação foi gradualmente se ampliando para tratamento de idosos, acidentados, depressivos, autistas e por ai vai toda a lista nosográfica.

Com isso, podemos observar que o AT não pode ser colado a ideia de uma única e exclusiva clínica de tratamento das psicoses, é muito mais do que isso.

E mais, diria que o AT não é exclusivamente uma prática psicoterapêutica.

Não é apenas isso, pois sua atuação não necessariamente vai buscar apenas uma intervenção psicoterapêutica num dado paciente. O AT pode ser usado inclusive para a produção de filmes como no exemplo de Sereno onde os acompanhantes terapêuticos tiveram pelo menos esses dois pedidos de trabalho: acompanhar a psicanalista no movimento de contato com a loucura da/na rua e localizar as pessoas que participariam dessa produção cinematográfica.

Como escreve Sereno (1997: 51):

“… acompanhantes terapêuticos improvisando como videomakers e psicanalista de carreira tornando-se diretora de cinema”.

Desse movimento nasceu o curta-metragem “Dizem que sou louco” (filme que “brotou” de uma pesquisa de mapeamento dos loucos de rua da cidade de São Paulo no Brasil).

É importante citar esse exemplo para ampliarmos nossa visão acerca do AT, inclusive para além do campo psicoterapêutico, aquele no qual há uma clínico (o at) que faz intervenção no paciente (o acompanhado).

O Acompanhamento Terapêutico está em expansão, buscando novas formas de ação, seja na clínica, no cinema ou em outras “praias”.

Por isso talvez seja necessário falarmos de uma clínica ampliada do AT (para além das psicoterapias), ao invés de uma clínica do AT.

 

O QUE É O “FAZER ANDARILHO”?

O “fazer andarilho” é um tipo de Acompanhamento Terapêutico que proponho desde 2001 e que se utiliza de alguns conceitos da Psicologia e da Filosofia (principalmente Foucault e Nietzsche) para potencializar as “andanças” na cidade.

É um recurso que busca aproveitar o ambiente de circulação do acompanhado, seja ele qual for, para promoção de saúde.

Ou seja, o campo de ação do at pode ser a rua, o shopping, o cinema, o consultório, a quadra de futebol, o show de rock, o bar da esquina, a praça do bairro, o quarto. Com isso fica em evidência que essa ação se dá nos possíveis campos do acompanhado.

Campo de ação, pois o ambiente escolhido poderá ser aproveitado para a promoção de alternativas possíveis de exercício de mais vida. Importante dizer que a ação não se resume a uma exclusiva intervenções do at, vai muito além disso (essa é uma das marcas que pode diferenciar o “fazer andarilho” de outro tipo de Acompanhamento Terapêutico que prega uma única e exclusiva intervenção psicoterapêutica unidirecional do clínico para o paciente).

Os elementos encontrados nessa errância poderão provocar encontros, outros olhares. Nesse movimento, a ação dos “andarilhos” (acompanhante terapêutico & acompanhado) e do ambiente pode ampliar o campo de circulação, assim como o campo poderá ampliar as formas de ação, incentivando processos de criação de estratégias outras para que possamos nos virar, viver com os elementos encontrados, criados no/pelo ambiente.

Então, o campo pode potencializar a ação, assim como a ação pode expandir o campo. Campos de ações, ações de campo!

Quanto à promoção de saúde, essa também se dá na medida em que o “agente na rua” toma os acontecimentos do cotidiano para ampliar o raio de trânsito das “verdades”, não só do sujeito acompanhado mas também da cultura (aqui se mostra outra marca do “fazer andarilho”, a DIMENSÃO POLÍTICA DA PRÁTICA MUNDANA; a intervenção do/no campo de ação NÃO É SOMENTE PARA O ACOMPANHADO, mas para todos que participam do processo, até mesmo para o profissional at).

Nessa perspectiva, todos os movimentos inusitados (ou não) do ambiente podem ser aproveitados para produção de “EFEITOS POLÍTICOS” (não de partidos políticos, mas de produção-destruição coletiva de “verdades” outras que exercitem a vontade de viver), e não anulados como tentam alguns clínicos quando buscam realizar um tipo de prática de consultório na “rua” para produzir mudanças num dado paciente (o doente).

Para que reproduzir a clínica de consultório na “rua”? Qual o objetivo de ir à “rua”, senão para aproveitar os elementos inusitados desse ambiente de ação?

Ao meu ver, é justamente aí que está O OURO DO “FAZER ANDARILHO”, tomar o inusitado dos territórios do acompanhado para produção de saúde, inclusive para além do acompanhado! Deixar esses inusitados de lado é jogar no lixo umas das mais fortes marcas dessa prática “andarilha”.

Tenho a crença que na ação do “fazer andarilho” podemos tomar qualquer elemento que chame a atenção do acompanhado para produzir saúde. Saúde sempre entendida como o ampliar da nossa maneira de enxergar a nós mesmos, os outros, a história… a vida.

Nessa lógica temos um conceito de saúde vinculado à uma ecologia cognitiva[3]. Então, promover saúde no AT é acompanhar o sujeito no enfrentamento da vida como ela é para relativizar as “verdades” que carregamos. Desse modo poderá se dar a criação de maneiras inéditas de viver a vida, olhares outros se produzirão no encontro com o inusitado dos possíveis ambientes de “andança”.

Tomando essa intenção de produção de relativizações das “verdades”, inclusive para além da dupla de “andarilhos”, podemos perceber que o “fazer andarilho”, como uma clínica ampliada, não se refere apenas a uma prática que saí do consultório para realizar intervenções ditas terapêuticas na “rua” e apenas num dito sujeito acompanhado.

Para ser mais explícito: Não basta sair do consultório para tratar um dito paciente para se dizer que se faz uma clínica ampliada. Para tanto, é necessário colocar em xeque a produção coletiva da sociedade como um todo (sujeitos, mídias, práticas de cuidado a saúde, etc.).

Clínica ampliada diz respeito a produção de algo da ordem da dimensão política. Processos que vão além do at e do acompanhado. As “verdades” que habitam a cultura, logo em nós, também podem ser minadas.

O processo de desinstitucionalização se dá no dia-a-dia. Os olhares despromotores do ser humano podem ser relativizado in loco.

Como exemplo, lembro de um comerciante que com o passar dos encontro foi mudando a maneira como enxergava Roberto[4], o sujeito acompanhado. Antes dizia que ele era “o louco do bairro, que necessita do controle dos seus pais” (sic), após alguns meses de circulação esse comerciante começou a dizer que Roberto era “legal e justo, pois pagava na hora” (sic).

Com isso podemos perceber a dimensão política (uma certa ecologia cognitiva), mudanças de uma certa “verdade” (coletiva?). Antes Roberto era o louco autista que não fazia nada sozinho (será que só o dono do bar pensa assim?); hoje ele é o consumidor que banca a sua vontade.

Creio que essa nova “verdade” (hoje) produz mais vida não só para Roberto que agora estabelece outro tipo de circulação no bairro, mas também para o dono do bar que parece ter uma outra postura quando vê esse sujeito. Antes parecia um “ansioso cão de guarda” que tinha de correr para se livrar de Roberto, hoje o recebe de outra forma… hoje ele recebe… não só dinheiro!

E eu (efeitos em mim? no at?), passo a acreditar que a prática do “fazer andarilho” pode produzir efeitos importantes, para além de uma psicoterapia centrada no paciente. Passo a ter a “crença” de que a vida cotidiana pode ser terapêutica, para além de uma visão moral que enxerga a rua como um lugar que deve ser evitado com todas as forças. Começo a crer que a vida pode ser uma obra de arte (como diria Foucault) com todas as suas cores, sejam elas quais forem.

Esses são os “pequenos” efeitos da dimensão política, que afetas todos e não exclusivamente um acompanhado (um paciente)! Para essa marca de relativização das “verdades” para além dos “andarilhos” (incluindo os mesmos) dou o nome de dimensão política do Acompanhamento Terapêutico. Essa é uma das caras de um certo tipo de clínica ampliada, o “fazer andarilho”.

Podemos pensar o “fazer andarilho” como recurso para problematizar o processo de criação de “verdades” pela mídia? Mas por que falar de mídia? O que o AT tem para dizer sobre a produção de “verdade” veiculada nas revistas, jornais, televisões, internet? Um “fazer andarilho” crítico de mídia? Seria uma grande besteira?

Essa vontade de usar a prática do Acompanhamento Terapêutico também para pensar a criação de “verdades” na mídia surgiu quando comecei a dedicar mais atenção as reportagens (principalmente as escritas) que vinha lendo para produzir e apresentar um programa na Rádio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) no Brasil (1080 AM). Nesse programa (chamado “Cultura Musical”) falo da cena artística e (obviamente) musical. Também desenvolvo articulações com as ciências Humanas e da Saúde, além de divulgar outras notícias variadas.

Nesse trabalho de radialista as manchetes começaram a chamar minha atenção, vi uma grande quantidade de matérias que mostravam a rua, a cidade, o fora de casa como local necessariamente ruim. Após receber um enxurrada desses olhares sobre “o fora de casa” senti-me obrigado a falar da “rua” para além de um lugar visto exclusivamente como horrível, violente, perigoso.

A “rua” vem sendo progressivamente construída no decorrer dos anos (não só no Brasil) como um lugar que tem de ser evitado. Nela podemos ser sequestrados, violentados, assaltados, contrairmos doenças. Em várias mídias encontramos muitas justificativas “científicas” para não sair mais de casa. Para exemplificar isso, no decorrer dessa escrita irei citar algumas revistas que são vendidas em todo Brasil (Veja, Isto É e Época).

Lá vão algumas matéria para exemplificar a criação de “verdades”:

Na Revista Veja:

“Meu Primeiro Blindado… Blindagem passou a ser item obrigatório (…) É triste que tenha que ser assim, mas essa foi uma das formas (…) para proteger seus filhos da selvageria que vigora nas ruas brasileiras. (…) A blindagem encarece um FiatStrada em cerca de 25,000 reais. (…) Antigamente blindar um automóvel era um luxo. Hoje é uma necessidade.” (Veja, n0 14, grifo meu).

“Casa Blindada… Em um apartamento, podem-se instalar sensores de abertura de porta e botões de pânico – escondidos atrás de portas, sob escrivaninhas, perto de interruptores… (…) Tudo isso sai por cerca de 1,000 reais, mais uma taxa de manutenção mensal entre 60 e 80 reais. Blindar uma casa pode custar o triplo (…) Sensores magnéticos, infravermelho e de movimentos, sirenes, botões do pânico, cerca eletrificada (para grades e muros) e monitoramento 24 horas são alguns recursos. O proprietário pode ainda carregar um botão de pânico no chaveiro”. (Veja, n0 28, grifo meu).

Mas essas notícias não estão só na Revista Veja, vamos agora as matérias da Revista Isto É:

“Prisioneiros do Medo… Escapar das estatísticas da criminalidade está cada vez mais difícil. O número de assaltos, sequestros e homicídios há muito ultrapassou a barreira do aceitável. (…) O Pânico espalhou-se pelas ruas e está cada vez mais próximo de casa. Diante da incapacidade do Estado em conter o avanço da barbárie, são os equipamentos de alta tecnologia que surgem como aliados na queda-de-braço contra o crime”. (Isto É, n0 1754, grifo meu).

Essa matéria da Isto É, por fim, dá os valores da segurança:

  • Quarto do pânico, preço médio: R$ 75,000 (em torno de 25 mil dólares).
  • Portas blindadas, preço médio: R$ 30,000 (em torno de 10 mil dólares).
  • Câmeras de vigilância, preço médio: R$ 3,000 (em torno de 1 mil dólares).
  • Rastreador por satélite, preço médio: R$ 1,000 (em torno de 333 dólares).
  • Bunkers, preço médio: R$ 300,000 (em torno de 100 mil dólares).

O título dessa matéria poderia ser: Vende-se segurança! Tranquilidade por pouco mais de 136 mil dólares!

Na capa (preta, de luto) da Revista Época: “Chega!… A convulsão social se alastra e provoca um rastro de violência por todo o país.” (Época, n0 271)

Fazendo um pequeno recorte nas matérias dessas revistas brasileiras podemos perceber que elas produzem um tipo específico de informação, qual seja: temos de ficar dentro de casa, fugir do perigo que está fora do lar, escapar da “selvageria que vigora nas ruas brasileiras”. A rua é local de violência, de “convulsão social”. Em alguns momentos os jornalistas falam da paranóia e parecem “esquecer” que eles próprios fabricam essa sensação nos seus leitores, talvez até em si mesmos. Além disso, as revistas mostram matérias com equipamentos sofisticados para criar uma casa hermética, com várias câmeras, “quarto do pânico”, cercas elétricas, paredes e chão a prova de “tudo”. Ou seja, essas mídias dão alternativas para que o leitor (que tem dinheiro) possa se livrar do perigo que as revistas divulgam.

As matérias brasileiras “são completas”, intensificam o medo, justificam “cientificamente” usando as estatísticas, dão opção de uso das novas tecnologias de segurança e divulgam os preços do investimento. Aliás, a indústria do terror vem lucrando muito com essa lógica do medo. Existem muitas empresas que se dedicam a pensar ferramentas para lidar com a crença do perigo total. Mas não é só as empresas de segurança que lucram com essa “fabricação do medo do fora”, os consultórios “psis” brasileiros estão cheios com pessoas que se queixam do medo de sair de casa, receio de ter contato com “estranhos”, nojo de tocar em pessoas e objetos da rua.

Essa produção constante de um tipo de “verdade” (o perigo está lá fora, nos outros) não é um “mérito” exclusivo dessas revistas, várias mídias estão nessa lógica (dá ibope[5] falar da violência da cidade). Vale citar mais exemplos: na Rede Bandeirantes de Televisão temos o programa “Brasil Urgente”. Nele os telespectadores podem ficar por dentro de todas as situação rotuladas de violentas que ocorrem na cidade. Com várias matérias “ao vivo” podemos ver mulheres que tentam se suicidar na frente das câmeras, policiais assassinados por traficantes, crianças assassinadas por policiais, ônibus sendo queimado, lojas sendo saqueadas.

Mas esse não é o único programa desse gênero…

“Sangue, Lágrimas e Escândalo… REPÓRTER CIDADÃO, Rede TV: o jornal sensacionalista da Rede TV! mostrou recentemente um bandido que ameaçava se matar com uma arma encostada no pescoço. HORA DA VERDADE, Bandeirantes: três participantes de um quadro do programa afirmam que a história que contaram no ar era falsa e havia sido armada pela produção.

CIDADE ALERTA, Record: o programa cobriu o suicídio de um policial militar e só congelou a imagem no instante em que ele disparava contra a própria cabeça”. (VEJA, n23, grifo meu).

É preciso, como diz Guattari (1997: 24), que possamos nos “desintoxicar do discurso sedativo que as televisões em particular destilam…”. E mais do que isso, talvez seja urgente nos “desintoxicar” da “sedação” que as mídias (em geral) podem produzir. O próprio Guattari (1997: 47) tenta dar uma saída possível (desintoxicação) para esse processo, diz ele: “… fazer transitar essas sociedades capitalísticas da era da mídia em direção a uma era pós-mídia, assim entendida como uma reapropriação da mídia por uma multidão de grupos-sujeitos, capazes de geri-la numa via de ressingularização.”

Mas afinal de contas, por que articular mídia com Acompanhamento Terapêutico?

No meio dessa jorrar de “verdades” estou eu, um tipo de profissional que trabalha também transitando pelas ruas. Ruas que são divulgadas como locais que devem ser evitados. No mínimo faço parte de uma “resistência” a essa indústria do terror. Sou um “resistente” acompanhante terapêutico e divulgo outras “verdades”. Digo que a “rua” pode se mostrar como um lugar onde as forças do inusitado podem servir para ampliar a nossa maneira de viver a vida. Vejo muitas situações nessa errância: amores, trabalho, carinhos, brigas, roubos, violências… mas apenas algumas dessas manifestações vão para grande mídia!

Tente imaginar-se trabalhando o dia inteiro (às vezes a noite inteira) nesse lugar que é mostrado como “o lugar do perigo”. Como você se sentiria se tivesse certeza que o local que você trabalha é um campo onde há apenas horror, violência, roubo, sequestro, estupro? Essa é uma faceta da produção de “verdade” de algumas mídias que parece não passar pelo crivo de um comitê de ética. O que a “verdade” que produzimos pode produzir no telespectador, leitor, ouvinte? Ou, para direcionar mais o fator implicação desses produtores de informação: O que “nossa verdade” produz em nós?

No âmbito da clínica escuto sujeitos que deixaram de sair de casa, pessoas que se dizem depressivas e que ficam apenas no interior do “lar doce lar” e que não enxergam possibilidades de sair dessa circulação. Apesar de ficarem mais doentes nela! Escuto relatos de “pânico” de andar no centro de Porto Alegre, medo de contaminação da “sujeira do centro”, sensações de isolamento crescente, falta de contato interpessoal, falta de dinheiro para ter um carro, um estacionamento e uma casa segura.

Mas, continuo o meu serviço, um tipo de ambulante que oferece uma Psicologia mundana, das “ruas”, dos cheiros, das avenidas, das praças, do gosto, do cachorro quente, do bar, das vizinhanças… Nós, os acompanhantes terapêuticos, usamos justamente o que é vendido como lixo, o desqualificado (a “rua”) para produzir o aumento de circulação desses sujeitos (também das “crenças”) que demandam novas formas de criar na vida. Somos um tipo de “lixeiro resistente”, mostramos uma Psicologia da reciclagem, da produção de vida, insistimos em (re)aproveitar “o lixo” (essa cidade que dizem estar em alerta, em convulsão). Buscamos ampliar a errância pelas vias da cidade. Não só para o acompanhado, mas para todos que de alguma maneira participam desse “caminhar”, inclusive nós mesmos. Quem sabe efeitos políticos poderão respingar até na maneira de olhar e criar dos “construtores da informação” (GUARESCHI, 2000)?

Não se trata de dizer que a “rua” é um lugar tranquilo, da paz, do sossego. Os acompanhantes terapêuticos sabem de apenas algumas das forças que se produzem nesse campo de circulação, outras são completamente inusitadas. Então é importante deixar claro que não se está proclamando aqui uma visão romântica da/na “rua”. Para se mais claro: a “rua” pode ser habitada, destruída, construída, criada juntamente com as forças que comporta. É a partir dessa “crença” que poderemos tentar nos virar com isso. O “fazer andarilho” propõe a produção de vida na vida (como ela é), como fazemos ela, como ela nos faz. Essa é a nossa arte.

Ao circular por essas “ruas” mostramos uma aposta na capacidade de criação constante de possibilidade de exercício de vida. A vida fora (e dentro) de casa é paradoxal, pode ser tudo isso (horrível, violenta, perigosa, local de sequestros, assaltos, doenças, brigas) e mais um tanto (tranquila, pacífica, sossegada, criativa, dos encontros, dos amores, das paixões, do trabalho, do lazer). O mesmo (bom e ruim) pode ocorrer para àqueles que ficam apenas dentro de casa, com todos os aparatos de segurança vendidos no mercado do terror. “Era Uma Vez Uma Família Feliz…. Num crime que chocou o Rio de Janeiro, engenheiro mata a tiro sua mulher e as duas filhas e comete suicídio (…) uma cobertura de 500 metros quadrados (…) foi palco de um extermínio brutal (…) Causou perplexidade o fato de tratar-se de uma família aparentemente feliz, bem-sucedida e cheia de planos para o futuro. É inevitável a pergunta: por quê? A real motivação do ato é um mistério cuja chave provavelmente foi enterrada junto com a família.” (VEJA, n0 22, grifo meu)

Talvez o que possamos fazer é pensar, problematizar nossa ação nesse criado contexto no qual vivemos. Cabe pensar nossa implicação nessa circulação.

Estar nesse campo de ação implica um processo constante de análise da implicação por parte do acompanhante terapêutico. Ou seja, o “agente na rua” faz parte de uma rede de elementos que estão a todo momento mostrando possibilidades de produção de um tipo de ser humano (formas de ser, ver, pensar e agir). Através dessas ofertas, desses encontros poderão se dar efeitos importantes (no acompanhado, no acompanhante, na cultura de um modo generalizado). É a partir da análise da implicação do acompanhante terapêutico no encontro com os elementos constituinte da cena que se dará algum tipo de trabalho.

Até que ponto produzimos uma ação ética quando estamos no “campo de ação”? Reforçamos as “verdades” que amarram os sujeitos acompanhados em lugares dados (eternos?), mostramos a “rua” como lugar perigoso (universal?) ou acompanhamos a construção de vias possíveis de exercício do novo? Todo encontro com o novo é bom? Tudo vale a pena?

Para essa questão vale uma citação de Deleuze (1996: 90): “Há muito que pensadores como Espinoza e Nietzsche mostraram que os modos de existência deviam ser pesados segundo critérios imanentes, segundo aquilo que detêm em ‘possibilidades’, em liberdade, em criatividade, sem nenhum apelo a valores transcendentes. Foucault alude a critérios ‘estéticos’, entendidos como critérios de vida que, de cada vez, substituem as pretensões dum juízo transcendente por uma avaliação imanente”. Com isso, poderíamos pensar que bom é todo processo de produção de vida que faça crescer o sentimento de poder viver a vida como ela é. Com isso vem a crença de que vale a pena mergulhar nas possibilidades que potencializem novas formas de exercício de vida, promovendo com isso novos encontros, mesmo com o já visitado. Com isso buscamos o ampliar do “campo de ação”, de vida. E nisso o relativizar das “verdades”, uma saúde da ecologia cognitiva. Aquela da constante criação-destruição, ou como diz Nietzsche (2000: 56): “Não é a dúvida, mas a certeza que enlouquece…”

Em suma, andar pelos possíveis campos de ação é ter a ideia de que somos interpelados por todos os lados por processos intervenientes e incessantes. Além disso, podemos aproveitar esse inusitado do campo de ação para compor processos terapêutico, movimentos que comportem forças que possam ampliar nosso olhar, relativizar nossas “verdades” sobre o sujeito acompanhado, os transeuntes, o shopping, o cinema, a escola, a rua, a Psicologia… nós mesmo (nossa ecologia cognitiva)! Aceitar o inusitado implica mergulhar no campo de ação para, a partir desse lugar,  pensar uma ética possível para acompanhar processos inéditos de ampliação dos nossos campos de vida, inclusive para além das “verdades” divulgadas (e criadas) nas mídias, nas “ciências”, na cultura. Essa é nossa ética, nossa implicação, nossa arte, nossa ação ecológica e política numa prática de um Acompanhamento Terapêutico para além de uma psicoterapia centrada no paciente, ou de maneira resumida: essa é a prática do “fazer andarilho”.

BIBLIOGRAFIA

  1. DELEUZE, Gilles (1996). O Mistério de Ariana. Lisboa: Editora Passagens.
  2. ÉPOCA (2003). Chega! Editora Globo: São Paulo. Número 271, 28 de julho.
  3. FOUCAULT, Michel (1999). Microfísica do Poder. 14º ed. Rio de Janeiro: Graal, 295p.
  4. GUARESCHI, Pedrinho A (2000). Os Construtores da Informação: Meios de comunicação, ideologia e ética. Rio de Janeiro: Vozes, 380p.
  5. GUATTARI, Felix (1997). As Três Ecologias. Tradução: Maria Cristina F. Bittencourt. 60 ed. Campinas, SP: Papirus. 56p.
  6. ISTO É (2003). Vida Moderna: Prisioneiros do Medo. Editora Três: São Paulo. Número 1754, 14 de maio, p. 82-84.
  7. MAUER, Susana Kuras de e  RESNIZKY, Silvia (1987). Acompanhantes Terapêuticos e Pacientes Psicóticos: Manual Introdutório a Uma Estratégia Clínica. São Paulo: Papirus, 164p.
  8. NIETZSCHE, Friedrich (2000). Ecce Homo: Como se chega a ser o que se é. São Paulo: Martin Claret, 125p.
  9. SERENO, Deborah (1996). Acompanhamento Terapêutico de Pacientes Psicóticos: Uma Clínica na Cidade. (Dissertação de Mestrado, Universidade de São Paulo). São Paulo, 191p.
  10. SERENO, Deborah (1997). Acompanhamento Terapêutico e Cinema. A CASA, EQUIPE DE ACOMPANHANTES TERAPÊUTICOS DO HOSPITAL-DIA (org.). Crise e Cidade: Acompanhamento Terapêutico. São Paulo: EDUC, 1997, 308p.
  11. VEJA (2003). Carta ao Leitor. Editora Abril: São Paulo. Edição 1811. Ano 36. Número 28, 16 de julho, p. 9.
  12. VEJA (2003). Casa Blindada. Editora Abril: São Paulo. Edição 1811. Ano 36. Número 28, 16 de julho, p. 92.
  13. VEJA (2003). Sangue, Lágrimas e Escândalo. Editora Abril: São Paulo. Edição 1806. Ano 36. Número 23, 11 de junho, p. 128-130.
  14. VEJA (2003). Era Uma Vez Uma Família Feliz. Editora Abril: São Paulo. Edição 1805. Ano 36. Número 22, 4 de junho, p. 56-58.
  15. VEJA (2003). Meu Primeiro Blindado. Editora Abril: São Paulo. Edição 1797. Ano 36. Número 14, 09 de abril, p. 99.

 

Notas:

[1]A palavra “rua” (com as aspas) é uma metáfora. Quando uso “rua” busco escrever sobre todo e qualquer lugar para além do consultório. Com isso, “rua” pode ser o quarto, o cinema, a avenida, um bar, a piscina. “Rua” é todo e qualquer espaço de circulação num determinado momento, para além do consultório de um profissional da saúde.

[2]Usa-se aqui a palavra desconstrução segundo o arquiteto Wigley (1996: 156), que faz referência a “um repensar o cotidiano – tão familiar que se torna quase invisível – descobrindo, nessa familiaridade, certas qualidades cruciais que parecem absolutamente inesperadas e imprevisíveis e que, de alguma maneira, desviam ou comprometem a própria cena em que se encontram”.

[3]Com a ideia de ecologia cognitiva (utilizada aqui) busca-se pensar o pensar-agir (viver) para além de um processo individual e influenciado apenas por humanos. Com isso, chama-se atenção a “crença” de que somos o que somos (e pensamos o que pensamos, ou vivemos o que vivemos) sempre na relação que temos com os outros (animais humanos ou não, coisas, fenômenos, etc.), nunca fora disso. Com a ideia de ecologia cognitiva fica em manifesto que só podemos pensar-agir segundo as relações (“acoplamentos” conforme Maturana) que sustentamos (e que nos sustentam) hoje; não somos determinados somente pela nossa história (pelo “passado” das nossas interações), pois vivemos com os inusitados do hoje, na continua criação da vida mundana.

[4] Para tentar manter o sigilo necessário os nomes de todos os acompanhados foram intencionalmente alterados, além de outros vários dados.

[5]Instituto brasileiro que mede o nível de audiências (número de pessoas ligadas) dos programas apresentados pelas mídias como televisão e rádio.

 

Autor: Alex Sandro Tavares da Silva.

O Fazer Andarilho: O Acompanhante Terapêutico Como Um Agente Político
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