O Acompanhamento Terapêutico no contexto dos CAPS e na reforma psiquiátrica no Brasil


Você pode compartilhar agora?

O Acompanhamento Terapêutico no contexto dos CAPS e na reforma psiquiátrica no Brasil

INTRODUÇÃO

Este artigo foi elaborado para elucidar algumas duvidas sobre o Acompanhamento Terapêutico (AT) sobre o qual há divergências de opiniões relativas sobre o seu inicio, expor o trabalho do acompanhante terapêutico em equipe junto aos CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) & Residências Terapêuticas, bem como o acompanhante terapêutico para com a Reforma Psiquiatra.

Há relatos de que o AT surgiu em 1971 na Argentina, porém encontraram-se vestígios de uso do Acompanhamento Terapêutico na clinica Pinel em Porto Alegre nos anos 1960. Nesse sentido, aqui encontra-se uma entrevista realizada com o doutor Luiz Alberto Reverbel Caputo (Dr. Caputo), baseado em relatos do mesmo sobre o estágio e a residência médica na Clinica Associação Encarnacion Blaya, mais conhecida por Clinica Pinel de Porto Alegre.

O Dr. Caputo trabalhou na clinica Pinel entre os anos de 1965-1969, justamente quando relatou o inicio de atividades de Acompanhante Terapêutico no Brasil. Através desta entrevista, teremos informações baseadas em vivências dessa época.

A entrevista foi realizada mediante a resposta a cinco perguntas relacionadas com as palavras chaves: Acompanhante Terapêutico, CAPS & Residências Terapêuticas e Reforma Psiquiatra.

Este artigo contem textos com trechos da entrevista, bem como referências de livros e sites, os quais foram citados e poderão ser acessadas para maiores esclarecimentos.

ENTREVISTA COM O DR. CAPUTO

Nesta entrevista foram feitas cincos perguntas compostas com as seguintes palavras chave: Acompanhante Terapêutico, CAPS & Residências Terapêuticas e Reforma Psiquiatra.

Temos relatos que o AT (acompanhante terapêutico) iniciou por volta dos anos 1960 no Brasil, e a primeira intervenção de acompanhamento terapêutico foi na Clinica Pinel em Porto Alegre. O que o senhor tem a expor sobre o tema?

Eu comecei a trabalhar na Pinel no fim do primeiro ano da faculdade, ou seja, novembro de 1965 até julho de 1969, nessa época a clinica pinel de Porto Alegre, a qual o nome mesmo é Associação Encarnacion Blaya, esse nome se deu em menção a mãe do Dr. Marcelo Blaya a qual se chamava Encarnacion Blaya, ficando mais conhecida como clinica Pinel, que na verdade começou com 04 casas. Tinha a casa A – B as quais ficavam na Rua João Pessoa, a C ficava na Av. Farrapos, e a D ficava na Rua Padre Pica Pau que era para dependentes químicos, alcoolistas e fumantes, naquela época não se usava outras drogas pesadas, eram raros os casos, era mais benzodiazepínicos. Eu trabalhei na principal casa que era a casa B situada na Rua João Pessoa enfrente da Redenção e nessa época a clinica pinel foi pioneira no Brasil em comunidade terapêutica e o Dr. Marcelo Blaya tinha formação na Universidade de Topíca no estado do Kansas no EUA com o Dr. Carlos Dionísio Menin que na época o padrão era a Clinica Austen Riggs que internavam as celebridades da época, tornando-se uma das maiores e melhores clinicas terapêuticas e a Pinel com o Dr. Marcelo Blaya importa essas técnicas de tratamento terapêutico aqui para Porto Alegre, tornando a clinica Pinel uma clinica famosa em todo Brasil, vindo para internar aqui pessoas de todo o País e do exterior, e lembro-me de que nos chamavam de Atendente Psiquiátrico tinha atendente 1-2-3-4 níveis e eu cheguei ao 4º nível e dava supervisão para os outros que estão começando e a Pinel tornou-se uma das maiores clinicas do Brasil sendo referência de comunidade terapêutica com o padrão de atendimento americano, onde os pacientes faziam reuniões dançantes, bailes de fantasias, saídas para os parques, visitas as salas de cinema, teatros e exposições todos os dias, acompanhados sempre por dois ou três atendentes dependendo do número de pacientes. Tinha também o que chamávamos de Atendente Ponte ou Grude, quando tinha um paciente grave muito resistente ao tratamento, psicótico, agressivo aí o médico psiquiátrico prescrevia Atendente Ponte ou Grude então eu ficava só com aquele paciente aonde ele ia eu ia junto, não era fácil, cansava muito, tu o acompanhavas em todos os lugares, conversávamos, realizávamos brincadeiras, jogos, nos alimentávamos juntos por no máximo dois ou três meses por que era muito exaustivo e essa escolha geralmente era feita conforme o perfil do atendente que se identificava mais com aquele paciente e tinha um contato maior com ele possibilitando assim sair para a rua e em outros lugares visitados por todos.

Conforme isso podemos dizer que iniciou a prática de Acompanhamento Terapêutico aqui em Porto Alegre com esse padrão americano de tratamento médico terapêutico trazido pelo Dr. Marcelo Blaya e aplicado na Clinica Pinel sendo custeado tudo pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Como o senhor percebe o Atendimento do AT dentro do atendimento realizado nos CAPS. E como é a relação médico psiquiátrico e Acompanhante Terapêutico?

Aqui no CAPS é outro padrão de atendimento até por ser um órgão público, o que requer outra maneira de atendimento, mas não deixa de haver o Acompanhamento Terapêutico com pontos positivos no atendimento. Quando eu chego ao CAPS por volta das 9 horas e 30 minutos para começar meu atendimento me deparo com a saída dos pacientes à rua e noto que isso faz um bem tremendo para eles e são altamente terapêuticos esses passeios.

A gente vê que a maioria deles se sente muito bem após esses passeios, sendo sempre acompanhados, geralmente por dois ou três técnicos de enfermagem e oficineiros que não deixam de serem acompanhantes terapêuticos exercendo outras atribuições que tem um perfil para isso e tem que gostar, pois não é qualquer funcionário que se dispõe a sair com um grupo de pacientes alguns psicóticos outros esquizofrênicos e outro bipolares, se expondo e expondo o acompanhante a várias situações perante uma multidão, numa praça, num teatro, num passeio pelo centro da cidade. E a relação que eu tenho com o pessoal que trabalha aqui realizando o acompanhamento terapêutico é muito bom, respeito à visão deles no momento de fazermos cada projeto terapêutico individualizado a cada paciente, assim como eles me ajudam a elaborar um tratamento individualizado baseado nas atitudes diárias de cada um dos pacientes, havendo um sincronismo para o bem comum.

Sobre a Lei 10.216/2001, a qual menciona a Reforma Psiquiatra. Os CAPS seriam uma das soluções, já que “não existem mais Manicômios”? Qual sua opinião sobre os Hospitais Psiquiátricos?

Sim os CAPS bem como as residências terapêuticas são sistemas de atendimento locais onde os pacientes não são retirados de perto dos seus parentes e familiares para realizar seus tratamentos, porém os Hospitais Psiquiátricos são ainda um mal necessário, desde que sejam bem administrados, pois não possuímos nos hospitais gerais leitos suficientes para tratar os pacientes que ficam em surto, tendo ainda que encaminhá-los para os hospitais psiquiátricos em outras cidades.

A Reforma Psiquiatra iniciou nos anos 70, no papel, mas quando nos anos 60 começaram a serem abertas as portas dos Manicômios e liberados os que dissemos ser “LOUCOS”, isso foi uma forma de iniciar a reforma ou simplesmente foi um ato impensado, pois muitos acabaram morrendo por inanição, doenças adquiridas nas ruas, e outros não encontraram mais seus familiares, acabando assim nas ruas. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

A Reforma Psiquiatra iniciou por volta dos anos 70, quando começou a haver uma atenção maior na área da saúde mental quando o governo investiu mais na área de saúde mental o que nunca havia acontecido até o momento, começando um plano de descentralização da psiquiatria aqui em Porto Alegre e essa foi tida com modelo para toda a Organização Mundial de Saúde (OMS) em esfera Latino Americana. A partir daí foi elaborada a descentralização do atendimento psiquiatra de Porto Alegre, de que maneira, fazendo unidades psiquiatras dentro de Hospitais gerais, liberando leitos psiquiátricos e fazendo ambulatórios de saúde mental, foi nessa época em 1978 que se iniciou um tratamento melhor aos pacientes psiquiátricos.  Com a nova constituição em 1988 se atingiu níveis melhores de entendimento para o tratamento dos pacientes psiquiátricos quando foi feita a Lei Antimanicomial que iniciou lá na Itália por volta de 1950 e teve alguns pontos positivos e outros nem tanto, foi quando se tentou acabar com os manicômios e hospitais psiquiátricos daquela época, isso só não resolveu porque os pacientes ficavam abandonados nas ruas. Eu participei disso aí no São Pedro, nessa época ele chegava a ter 3500 pacientes era um depósito de pacientes, tinha algumas unidades como a Pinel e Freud que era um depósito de pacientes onde eles ficavam completamente abandonados pelos familiares e pela sociedade, isso acabou ajudando a melhorar muito as condições humanas de tratamento, mas por outro lado como tudo foi feito de uma forma muito radical no meu entender, que trouxe esses problemas em que os pacientes acabavam abandonados nas ruas e muitos morriam, daí a formação de novos centros de tratamentos os CAPS onde cada município possui o seu com uma equipe multidisciplinar dando um suporte de atendimento aos pacientes não precisando colocar pacientes em depósitos como nos manicômios, mesmo assim ainda precisamos de Hospitais psiquiátricos que sejam bem administrados que nos possibilitem internar pacientes em surtos  onde os mesmos recebam atendimento necessário para poder retornar aos CAPS para prosseguir com seus tratamentos junto de seus familiares.

Quais suas expectativas para o futuro do tratamento psiquiátrico, com a presença do AT mais ativo na equipe multidisciplinar da área de saúde mental?

O Acompanhamento Terapêutico não é nenhuma novidade, pois já existe a mais de 50 anos, mas eu acho que é um fator e um recurso muito importante principalmente para certas patologias, por exemplo, pacientes esquizoides, esquizofrênicos e com transtornos bipolares se beneficiam muito com esse tipo de atendimento no momento em que eles conseguem fazer um vínculo afetivo com esse acompanhante e às vezes há uma identificação muito grande, juntamente com o avanço da medicina e a própria tecnologia favorece para um avanço no tratamento. Então a perspectiva é muito boa desde que os profissionais sejam bem qualificados e que tenham um perfil para trabalhar com esses pacientes, pois tem que gostar desse tipo de atividade para tratarem de um ser humano que possui uma doença psíquica onde pode haver exposições e agressões desses pacientes quando em surto.

ACOMPANHANTE TERAPÊUTICO

No Brasil, em um primeiro momento, o AT chega a Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 1960 com grande influência das comunidades terapêuticas dos EUA (ZAMIGNANI, 1997).

Conforme BELLOC (1998), “com o desenvolvimento do movimento de desinstitucionalização dos hospitais psiquiátricos, na década de 1970, também surge à influência da psiquiatria democrática da Itália, representado pela figura de Franco Basaglia”. Hoje, existem ATs em todo o Brasil, ligados a instituições ou em grupos independentes. Os ATs utilizam os mais variados referenciais teóricos, como a psicanálise, o psicodrama, a terapia cognitivo-comportamental, a sistêmica, o humanismo associados aos referenciais da reforma psiquiátrica e da reabilitação psicossocial.

O Acompanhamento Terapêutico surge como consequência do movimento antipsiquiátrico, que defendia o fim das instituições manicomiais. Este movimento retirou os pacientes psiquiátricos das instituições e os trouxe à sociedade, as casas dos familiares, etc. demandando um profissional que pudesse sair do ambiente institucional para atendê-lo. Este profissional ficou então chamado de Amigo Qualificado ou Auxiliar Psiquiátrico e Atendente Psiquiátrico. O trabalho do AT também se caracteriza por sua interdisciplinaridade. Hoje nós vemos um trabalho muito mais amplo com outros tipos de profissionais: pedagogos, psiquiatras, fonoaudiólogos, médicos, advogados, nutricionistas, psicólogos clínicos, etc. Portanto, essa característica torna o trabalho muito mais completo, pois trabalha com a complexidade do homem.

O Acompanhamento Terapêutico é um dispositivo clínico, habitualmente utilizado no tratamento de pacientes com graves distúrbios psíquicos. Proporciona muitas vezes, a extensão dos cuidados para além dos limites institucionais, outras vezes, é a única forma de tratamento possível para construir as condições necessárias ao engajamento do paciente em uma rede de atendimento. Oferecer suporte aos processos terapêuticos dos pacientes promovendo sua autonomia e sua inserção social. Possibilitar maior circulação fora do ambiente institucional e familiar, assim como novas oportunidades de relacionamentos interpessoais.

O acompanhante terapêutico vem ao encontro dos pressupostos da Reforma Psiquiátrica porque ajuda a viabilizar o resgate da cidadania das pessoas com grave sofrimento psíquico. Ao promover a circulação dos pacientes pelo espaço cotidiano, nos quais sua presença costumava ser praticamente vetada. O acompanhante coloca frente a frente o sujeito adoecido e os demais atores sociais com os quais eles passam a interagir caso não estejam mais segregados em asilos, manicômios ou até mesmo dentro do seu próprio lar.

CAPS & RESIDÊNCIAS TERAPÊUTICAS

O Centro de Atenção Psicossocial é um dos serviços substitutivos proposto pela reforma psiquiátrica. A função dos CAPS é de prestar atendimento às pessoas com sofrimento psíquico, diminuindo e evitando internações psiquiátricas, e articular em rede com os demais serviços da comunidade favorecendo a reinserção delas a esse espaço. Os CAPS possuem uma equipe multidisciplinar composta por psicólogos, psiquiatras, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, assistentes sociais, terapêuticos ocupacionais, técnicos administrativos e etc. e oferecem diversas atividades terapêuticas. Psicoterapia individual ou em grupo, oficinas terapêuticas, acompanhamento psiquiátrico, visitas domiciliares e atividades de orientação e inclusão das famílias. De acordo com cada projeto terapêutico de cada usuário, estes podem passar o dia todo na unidade, parte do dia ou a vir apenas nas consultas. Respectivamente no regime Intensivo, Semi-Intensivo e Não intensivo. As necessidades de cada usuário e os projetos terapêuticos, compreendendo as modalidades de atendimentos citadas e os tempos de permanência no serviço, são decididas pela equipe em contato com os familiares. Por possibilitar que seus usuários voltem para casa todos os dias, os CAPS evitam a quebra nos laços familiares e sociais, fator muito comum nas internações de longa duração.

O primeiro CAPS no Brasil foi o Centro de Atenção Psicossocial Professor Luiz da Rocha Cerqueira, conhecido como CAPS Itapeva, inaugurado em março de 1986 em São Paulo, este serviço continua em plena atividade e hoje temos cerca de 1500 CAPS no Brasil.

As Residências terapêuticas são simplesmente moradias de pessoas portadoras de transtornos mentais, a inserção em serviço em residência terapêutica é o inicio de um longo processo de reabilitação que deverá buscar progressiva inclusão social do morador. As residências terapêuticas têm inicio nos anos 90, com experiências nas cidades de Campinas (SP), Ribeirão Preto (SP), Santos (SP) e Porto Alegre (RS) que demonstraram a efetividade da iniciativa na reinserção dos pacientes na comunidade. As residências terapêuticas são moradias para pacientes que estão em reabilitação e reinserção na sociedade, neste momento as residências funcionam como um aprendizado para os pacientes que são acompanhados nas residências 24 horas por um acompanhante terapêutico e ou por um auxiliar de enfermagem, que ajuda os pacientes nos afazeres domésticos, no gerenciamento das compras e até mesmo na limpeza do lar, vivenciando assim o cotidiano de vida em uma casa.

REFORMA PSIQUIATRA

Na década de 1970 são registradas várias denúncias quanto à política brasileira de saúde mental em relação à política de privatização da assistência psiquiátrica por parte da previdência social, quanto às condições (públicas e privadas) de atendimento psiquiátrico à população. É neste contexto que surge a questão da reforma psiquiatra no Brasil. A Política de Saúde Mental no Brasil promove a redução programada de leitos psiquiátricos de longa permanência, incentivando que as instituições psiquiátricas, quando necessárias, se deem no âmbito dos hospitais gerais e que sejam de curta duração. Além disso, essa política visa à construção de uma rede de dispositivos diferenciados que permitam a atenção ao portador de sofrimento mental no seu território, a desinstitucionalização de pacientes de longa permanência em hospitais psiquiátricos e, ainda, ações que permitam a reabilitação psicossocial por meio da inserção pelo trabalho, da cultura e do lazer. Costuma-se pensar que as expressões “reforma” e “psiquiatria” só se tornaram parceiras recentemente. No entanto, elas andam juntas desde o próprio nascimento da psiquiatria, sabemos que foram os ‘reformadores’ da revolução francesa que delegaram a Pinel a tarefa de humanizar e dar um sentido terapêutico aos hospitais psiquiátricos, onde os loucos encontravam-se recolhidos junto com outros marginalizados da sociedade.

Através da Lei Federal 10.216/2001 e da Luta Antimanicomial que possibilitaram o desenvolvimento de pontos extremamente importantes para a desinstitucionalização da loucura. Podemos destacar aqui o surgimento de vários serviços de atendimento extras hospitalares oriundos da reforma psiquiátrica: NAPS (Núcleos de Atenção Psicossocial), CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) que se subdividem em CAPS I, CAPS II, CAPS III, CAPSI (infantil), CAPSAD (álcool e drogas) e as Residências Terapêuticas.

A reforma destaca-se então enquanto um movimento com a finalidade de intervir então no modelo vigente, buscando o fim da mercantilizarão da loucura para assim poder construir coletivamente uma critica ao chamado saber psiquiátrico e ao modelo hospitalocêntrico na assistência às pessoas com transtorno mentais. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao término deste artigo pode-se dizer que o inicio do acompanhante terapêutico ocorreu simultâneo a Reforma Psiquiátrica, pois na década de 1960 existem relatos do inicio de acompanhamentos terapêuticos no Brasil, na clinica Pinel. Nesta mesma data, a partir da segunda metade do século XX, impulsionada principalmente por Franco Basaglia, psiquiatra italiano, inicia-se uma radical crítica e transformação do saber, do tratamento e das instituições psiquiátricas. Esse movimento inicia-se na Itália, mas tem repercussões em todo o mundo e muito particularmente no Brasil, quando em 1960, por intermédio do Dr. Marcelo Blaya que retornava dos EUA com ideias sobre o tratamento para pacientes em sofrimento psíquicos graves e moderados. Ideias essas, vindas do padrão americano de tratamento da clínica de Austen Riggs que era uma das maiores e melhores clínicas do mundo. Essas técnicas de tratamento trazidas pelo Dr. Marcelo Blaya para a clínica Pinel em Porto Alegre nada mais era que a desinstitucionalização e reabilitação psicossocial através da inserção pelo trabalho, da cultura e do lazer de pacientes de longa permanência em hospitais psiquiátricos aproximando os pacientes da sociedade, junto com seus familiares, em instituições dentro de sua própria cidade. E com novas técnicas de tratamento, como o Acompanhamento Terapêutico nas saídas com os pacientes nas ruas, praças, cinemas, teatros e outros lugares, através do contato com a sociedade, tentando aproximar cada vez mais o paciente com a rotina diária na sociedade. Nesse momento começava um movimento de desinstitucionalização com o fechamento dos Manicômios quando se liberou vários pacientes dos manicômios. Estes acabaram ficando nas ruas, pois muitos pacientes não tinham mais referências de familiares, muitos até morrendo nas ruas por inanição.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. BELLOC, M. Algumas Reflexões sobre a Clinica do Acompanhante Terapêutico. Cadernos de AT: Uma Clinica Itinerante. Porto Alegre: Grupo de Acompanhamento Circulação, 1998.
  2. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Residências terapêuticas: o que são, para que servem / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília: Ministério da Saúde, 2004. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/120.pdf> Acessado em 15/08/2012.
  3. Humaniza/SUS. A reforma psiquiátrica brasileira e a política de saúde mental. Disponível em: <http://www.ccs.saude.gov.br/vpc/reforma.html> Acessado em 15/08/2012.
  4. MALAVAZI, Gabriela. Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) como dispositivos da reforma psiquiátrica. Disponível em:
    <http://www.sermelhor.com.br/espaco/centros-de-atencao-psicossocial-caps-como-dispositivos-da-reforma-psiquiatrica.html> Acessado em 15/08/2012.
  5. MESQUITA, José Ferreira de; NOVELLINO, Maria Salet Ferreira; CAVALCANTI, Maria Tavares. A Reforma Psiquiátrica no Brasil: um novo olhar sobre o paradigma da saúde mental. Trabalho apresentado no XVII Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em Caxambu – MG – Brasil, de 20 a 24 de setembro de 2010. Disponível em: <http://www.abep.nepo.unicamp.br/encontro2010/docs_pdf/eixo_4/abep2010_2526.pdf> Acessado em 15/08/2012.
  6. WIKIPÉDIA. Acompanhamento terapêutico. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Acompanhamento_terap%C3%AAutico> Acessado em 15/08/2012.
  7. ZAMIGNANI, Denis Roberto. O trabalho de Acompanhante Terapêutico: a prática de um analista do comportamento. Revista Biociência, 3 (1); 77-90. Taubaté, 1997.

Autor: Fernando Guedes Maycá – Técnico em Enfermagem (PROFAE-UFSM), Acompanhante Terapêutico (CTDW), auxiliar em Enfermagem (Instituto Livramento). Rua Maturino Xavier da Sliva, 91, Sant’Ana do Livramento, bairro Jardins/RS. Celular e Whatsapp: (55) 9933-4502. E-mail: [email protected]

O Acompanhamento Terapêutico no contexto dos CAPS e na reforma psiquiátrica no Brasil
Você Pode Avaliar Agora?

Você pode compartilhar agora?

Ficamos felizes quando você escreve aqui!