A “Clínica de Rua”: Acompanhamento Terapêutico


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Resumo: o presente trabalho tem o desejo de divulgar a atuação da “Clínica de Rua” (Acompanhamento Terapêutico) e algumas de suas possíveis funções na potencialização da saúde.

Palavra-chave: Clínica de Rua, Acompanhamento Terapêutico, funções clínicas.

A “Clínica de Rua”: Acompanhamento Terapêutico

A “Clínica de Rua”, ou o Acompanhamento Terapêutico, apresenta uma infinidade de funções clínicas. A título de exemplo, enumero apenas algumas, como estas:
1. Provocar a criação de novos olhares sobre o paciente.
2. Oferecer “apoio” ao paciente e aos grupos do qual participa (família, escola, amigos).
3. Acompanhar novos encontros com o social.
4. Criar maneiras de realizar as tarefas diárias (alimentação, higiene, lazer, trabalho).
5. Se for tomado como um “modelo de identificação”, usar dispositivos para ser superado.
6. Dar continuidade ao processo terapêutico junto a outros profissionais da saúde.
7. Conduzir à um progressivo processo de autonomia, cidadania.

Com a intervenção para além dos portões das instituições pode-se acompanhar o exercício do paciente no enfrentamento da vida como ela se apresenta.

Ou seja, a pessoa pode ser acompanhada em loco no elaborar dos medos-desejos; acompanhada nas vivências que vão se fazendo no seu dia-a-dia. Isso poderá conduzir à um progressivo processo de autonomia pois o paciente poderá perceber que pode de alguma maneira lidar de forma singular com as vivências que vão se mostrando.

A ideia de enfrentamento diário do paciente com o auxílio do acompanhante terapêutico poderá proporcionar a criação constante de “ferramentas” para lidar com as questões existenciais.

Essas táticas que são escolhidas pelo paciente podem ser testadas na vida se dão o resultado esperado ou não na produção de mais força.

Importante destacar que o Acompanhamento Terapêutico vem sendo utilizado como intervenção terapêutica tanto para pessoas neuróticas quanto para psicóticas.

A maioria das solicitações é dirigida à pacientes em crise psicótica, mas também ocorrem intervenções clínicas do AT em: deficientes mentais, dependentes químicos, idosos, acidentados, etc.

Ao meu ver a meta na “Clínica de Rua” (AT) é acompanhar o paciente à cidadania.

Em suma, o Acompanhamento Terapêutico busca potencializar a produção de vida naqueles pacientes que se encontram de alguma maneira em dificuldade de sair do local onde estão “presos”, se sentindo impotentes para romper com a clausura vivida até então.

Bibliografia

  • A CASA, Equipe de Acompanhantes Terapêuticos do Hospital-Dia (org.). A rua como espaço clínico: acompanhamento terapêutico. São Paulo: Escuta, 1991, 247p.
  • COOPER, David. Psiquiatria e Antipisiquiatria. 2º ed. São Paulo: Editora Perspectiva, 1989. 162p.
  • MAUER, Susana Kuras de e RESNIZKY, Silvia. Acompanhantes Terapêuticos e Pacientes Psicóticos. São Paulo: Papirus, 1987. 164p.
  • CIRCULAÇÃO, GRUPO DE ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO (orgs.). Cadernos de AT: uma clínica itinerante. Porto Alegre: Grupo de Acompanhamento Terapêutico Circulação, 1998, 150p.

Texto publicado na Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul. V. 22 – Número 3 – Setembro/Dezembro de 2000. p. 244 e apresentado na V Jornada Gaúcha de Psiquiatria: Relação Terapêutica na Prática Clínica. Porto Alegre, 30 de junho de 2001.

Autor: Alex Sandro Tavares da Silva.

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