Congresso de Acompanhamento Terapêutico inova expansão da rede BVS-Psi

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Autor:

  • Biblioteca Virtual em Saúde

O tema do Acompanhamento Terapêutico é extremamente relevante para os programas de atenção à saúde uma vez que considera a re-integração do paciente à sociedade, o acompanhamento no próprio ambiente e cotidiano, possibilitando a retomada do padrão de vida normal e as respectivas ações de cidadania. Embora faça parte das linhas terapêuticas há mais de 30 anos, em algumas regiões do mundo, principalmente na América Latina esse é um recurso que não está efetivamente disseminado.

Baseando-se na premissa da inovação no tratamento e acompanhamento terapêutico, a Associação de Acompanhamento Terapêutico do Brasil (AAT) em conjunto com a Asociación de Acompañantes Terapéuticos de la República Argentina (AATRA) e da Sociedad Peruana de Acompañamiento Terapéutico (SPAT) se responsabilizaram pela organização e realização do evento que reunirá o I Congresso Internacional, o II Congresso Ibero-Americano e o I Congresso Brasileiro de Acompanhamento Terapêutico. Este evento é inédito no Brasil, sua realização ocorrerá no período de 7 a 9 de setembro de 2006, em São Paulo.

Um contato efetuado por Kleber Duarte Barreto, professor doutor e presidente da Associação de Atendimento Terapêutico (AAT) com a coordenação da Biblioteca Virtual em Psicologia (BVS-Psi) buscando uma solução para promoção e administração do site e agenda do Evento, deu inicio à uma colaboração tripartite bastante produtiva, que inclui a AAT, a BVS-Psi e a BIREME.

Esta operação conjunta está inserida no contexto da Rede BVS (Biblioteca Virtual em Saúde) e busca promover a inserção e consolidação da BVS-Psi como referência na área de Acompanhamento Terapêutico assim como no apoio à realização do Congresso. A colaboração da BIREME caracteriza-se pela instalação, customização e treinamento no uso das ferramentas BVS Site e BVS Agenda.

No dia 3 de março de 2006, reuniram-se na sala de cursos da BIREME/OPAS/OMS, as equipes da AAT e da BVS Psi que trabalhando em conjunto com a equipe técnica da BIREME elaboraram os ajustes necessários para o uso das ferramentas da BVS (Agenda e BVS-Site 4.0) para a gestão do Congresso. As equipes recomendaram a inserção do tema do Acompanhamento Terapêutico na BVS-Psi, reunindo toda a literatura dispersa sobre o tema, organizando buscas nas fontes de informação da BVS-Psi, acrescentando assim a base de informação científica ao evento e à discussão do tema.

“A capacitação atendeu todas as nossas expectativas. As ferramentas superam o que imaginávamos. Há muitos recursos a serem usados”, afirmou Kleber após o curso, ministrado por Patricia Gaião, bibliotecária da gerência de Serviços Cooperativos de Informação (SCI), Elenice de Castro, coordenadora de Eventos BVS (EVE/GA), e Júlio Takayama, supervisor da unidade de Desenho Gráfico e Interfaces (DGI/GA). Ambas as instâncias (EVE e DGI), da gerência de Gestão Administrativa da BIREME.

“Aproveitamos a oportunidade para, seguindo na linha de convergência e na ação de consolidação do uso da BVS-Psi, atualizarmos o sistema da BVS Psicologia”, conta Célia Regina de Oliveira Rosa, bibliotecária da Biblioteca do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), instituição pertencente ao Comitê Consultivo da BVS-PSi.

Saiba mais sobre o Acompanhamento Terapêutico

Singularidade, Multiplicidade e Ações de Cidadania é o tema central escolhido para o Congresso que acontecerá de 7 a 9 de setembro de 2006 no Centro de Convenções da UNIP em São Paulo.

A Singularidade assinala o vértice que permeia a prática clínica do AT e a insere no campo comunitário, pois a prática necessita ser reinventada a cada encontro com os acompanhados.

A Multiplicidade no AT ocorre nas mais diferentes dimensões:

– Campo de Atuação: Saúde Mental, Educacional, Judicial, Reabilitação e Ressocialização;

– Teórica: têm-se utilizado os mais variados referenciais teóricos para se fundamentar a prática do AT: psicodrama, perspectivas corporais, psicanálises, cognitivo-comportamental, esquizoanálise, gestalt etc.

– Formação: profissionais e estudantes com os mais diferentes percursos e formações acadêmicas (ou não): psicologia, enfermagem, terapia ocupacional, psiquiatria, assistência social, fonoaudiologia, filosofia etc.

– clínica: pacientes psiquiátricos, deficiência mental, neuroses graves, casos judiciários, doenças na terceira idade, relação mãe-bebê etc.

– moradia: muitos ATs têm se dedicado ao trabalho em/com moradias assistidas.
– outras: o AT funciona também como dispositivo de intervenções culturais e/ou políticas.

– Denominação: existem outras práticas que se assemelham ao AT, mas que possuem nomes distintos. No Brasil temos o Amigo Qualificado, o Acompanhante Social, o Acompanhante Domiciliar e o Acompanhante Psicoterapêutico. Atividades semelhantes ocorrem em outros países como Canadá, EUA (therapeutic coaching), França, Inglaterra (care-taking), Israel (chonjut), Itália etc.

Nas ações de cidadania o AT tem contribuído bastante nesta dimensão social e política. Muitas são as reflexões sobre o AT que adotam essa postura.

Atualmente, essa atividade passou a apontar novas formas de lidar com as criações da/na cidade. Hoje os acompanhantes terapêuticos são parceiros na invenção de formas distintas de ser, agir e habitar; implicando inúmeros sujeitos (ex.: políticos, professores, familiares, pacientes, terapeutas, empresários, etc.) na criação de lugares com novos significados e sentidos, na produção de outros mundos, talvez menos segregantes.

Assim, o AT não trabalha apenas na mudança de pacientes, mas com a produção de subjetividades múltiplas que possam viver com a diferença que todos nós portamos. Enfim, o AT, enquanto um ampla estratégia que lida com as questões clínicas-políticas (da pólis, da cidade, da comunidade), aponta para a implicação de todos no processo de criação da nossa existência e de nossa responsabilidade cidadã, que deixa evidente a importância dos nossos atos na participação coletiva da constante criação do espaço comunitário com as diferentes formas de viver as diferenças, não mais institucionalizando e estigmatizando, seja quem for.

 

Fonte:

http://espacio.bvsalud.org/boletim.php?articleId=03150857200632

 

Artigo publicado no “Site AT” em 27/03/2006.

Supervisão em AT.

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