O Acompanhamento Terapêutico com esquizofrênicos: potências e benefícios da prática


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Resumo: o presente artigo apresenta-se como uma produção bibliográfica revisional, que busca elucidar os benefícios do Acompanhamento Terapêutico com pacientes esquizofrênicos. Tendo em vista a significância dos sintomas patológicos na vida do indivíduo, esta proposta tem obtido sucesso intervindo diretamente no cotidiano do acompanhado, auxiliando-o na reestruturação de laços familiares e vínculos afetivos com o meio em que vive. O estudo tem como cerne a compreensão da patologia e das possiblidades terapêuticas desta prática ampliada,visando o entendimento do paciente como ser social, juntamente coma consolidação de sua autonomia e autoestima.

Palavras-chave: Esquizofrenia, Psicose, Acompanhamento Terapêutico, Benefícios.

Abstract: this article is presented as a bibliographic production Revision, which seeks to elucidate the benefits of Therapeutic Monitoring with schizophrenic patients. Given the significance of pathological symptoms in the individual’s life, this proposal has been successful intervening directly in the monitored daily, helping the restructuring of family ties and affective bonds with the environment they live in. The study is core to understanding the pathology and therapeutic possibilities of this extended practice, seeking the patient’s understanding as a social being, along with the consolidation of their autonomy and self-esteem.

Key words: Schizophrenia, psychosis, therapeutic monitoring, benefits

O Acompanhamento Terapêutico com esquizofrênicos: potências e benefícios da prática

Acompanhamento Terapêutico, Acompañamiento Terapéutico, Therapeutic AccompanimentIntrodução:

O Acompanhamento Terapêutico (AT) surge nos anos 1960, propagando-se no Brasil, inicialmente em Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. Foi denominado inicialmente de diferentes formas, tais como auxiliar psiquiátrico , atendente terapêutico e amigo qualificado, porém sem que nenhum destes  representassem, fidedignamente, a proposta terapêutica desejada. Assim como o nome, que mais tarde veio a se oficializar como Acompanhamento terapêutico, a prática também foi adaptando-se e mostrando-se uma forma diferenciada de auxilio aos pacientes em sofrimento psíquico.

Segundo Pelliccioli (2004), juntamente com o movimento Antimanicomial, surge na época a busca e a demanda  de uma nova abordagem  para o tratamento dos usuários do serviço de saúde mental, em especial,  os psicóticos, visto que estes eram maioria nos manicômios e que, não mais segregados, necessitavam de mecanismos de inserção social. Um terreno fértil para expansão e consolidação de uma nova forma de promoção de saúde, o AT, pode a partir dai desenvolver e aperfeiçoar suas diretrizes.

Elucidando a abordagem ainda se encontra em expansão, a Clínica do AT tem como objetivo de intervenção a utilização do cotidiano do paciente como ferramenta terapêutica. Revelando-se uma prática que abre espaços para a singularidade do sujeito e reforça os ideais da Reforma Psiquiátrica, buscando um novo olhar sobre a loucura, dando voz e pernas a ela. Dada à característica de ser uma clínica que utiliza o dia-a-dia do indivíduo, o AT estimula o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento das situações críticas do paciente, visando à inclusão e reabilitação psicossocial e familiar. De forma esclarecedora, Canatto (2006) afirma que a prática envolve a dupla, acompanhante terapêutico (at) e acompanhado, tradicionalmente, destinado a sujeitos que estejam numa condição de sofrimento psíquico que transcenda o problema orgânico em si, caracterizando um isolamento social que necessite de intervenção e acompanhamento, visando a auxiliar o acompanhado na reconstrução das relações sociais e afetivas, na retomada dos laços sociais.

 

Os loucos não mais isolados nos manicômios, entre muros e distâncias, poderão experimentar a possibilidade de trilhar novos percursos pela cidade. Mas como o farão, diante das crises intensas que provocam bloqueios psicóticos, apresentando dificuldades de realizar encontros com os outros e com o mundo? Acompanhados. (CAUCHICK, 2001, p. 30).

É a possibilidade de o setting ocorrer na rua que diferencia o Acompanhamento Terapêutico das outras praticas clinicas. Assim, o acompanhante terapêutico busca na rua a possibilidade de o sujeito integrar-se ao contexto social. (PELLICCIOLO, 1998; SILVA, 2005).

Esquizofrenia: um parecer histórico e sociocultural

O estigma a cerca do paciente psicopatológico caminha junto com a história da civilização, o doente mental tem ocupado diversos espaços dentro do cerne social, transitando entre um ser iluminado, como em algumas tribos indígenas, até ser visto como a escória da sociedade, pela errônea perspectiva radical higienista.Os primeiros sinais e sintomas da esquizofrenia aparecem mais comumente durante o início da idade adulta, mas podendo manifestar-se durante a adolescência e a infância, mais raramente. Apesar de poder surgir de forma abrupta, o quadro mais frequente se inicia de maneira insidiosa e de natureza endógena. A esquizofrenia tornou-se a representação da loucura ao longo da história.  Inicialmente, foi classificada como “demência precoce” por Kraepelin (1856-1926), definida pela visão médico-psiquiátrica e tida como uma marca que escoltaria o sujeito para a trilhar pelas margens da sociedade até o fim da vida.

Alucinações, perturbações, falta de compreensão e vazio afetivo. A sintomatologia da doença chama a atenção do Psiquiatra suíço Eugen Bleuler, por volta do ano de 1908, que aprofunda seus estudos sobre a patologia. E assim, em 19011, nomeia a doença com um termo menos estigmatizante mas ainda controverso: esquizofrenia. Das raízes gregas esquizo = divisão e phrenia = mente, Bleuler firma o termo na literatura mundial para indicar a presença de um cisma entre pensamento, emoção e comportamento nos pacientes afetados.

Juntamente com a esquizofrenia simples, introduzida por Bleuler, os subtipos paranóide, hebefrênico e catatônico, delineados por Kraepelin, formaram o grupo de esquizofrenias. Dalgalarrondo (2008) afirma que tal desorganização profunda da vida mental e comportamental do paciente,que rompendo este seus vínculos com a realidade, o deixa sob a égide do princípio do prazer e do narcisismo, dificultando seu laço com o social.

Utilizando o viés psicanalítico para compreender a patologia e sua característica psicótica, em Neurose e psicose (1924), Freud se atém às causas do conflito psicótico, que para ele está situado “nas relações entre o ego e o mundo externo” (FREUD, ESB, vol. XIX, 1996, p. 167). Nestas, a serviço dos impulsos desejosos do id, o ego recusa as realidades interna e externa, passando a criar uma nova realidade, novos mundos interno e externo. Linhas de interpretações à parte, compreende-se que o fator dualístico e conflituoso provoca grande angústia ao paciente,fazendo-se necessário o auxílio terapêutico e a compreensão da singularidade de cada caso, juntamente com seu histórico de vida. A esquizofrenia e a paranóia estão contidas no campo da potencialidade psicótica, que pode eclodir ou não, caso sejam aparentes seus sintomas.

Conforme Kaplan (1997), aproximadamente 1% da população é acometido pela doença, geralmente iniciada antes dos 25 anos e sem predileção por qualquer camada sociocultural.O diagnóstico baseia-se, exclusivamente, na história psiquiátrica e no exame do estado mental.

Em 1948 o psiquiatra alemão Kurt Schneider publica o livro Psicopatologia Clinica, no qual delineia de forma significativa a esquizofrenia e os sintomas para o seu diagnóstico. Chamados de “Sintomas de Primeira Ordem”(SPO) os sintomas que indicam a profunda alteração da relação “Eu-mundo”, na quebra das membranas que separam o mundo interno e externo do sujeito. Os indicadores são 1- Percepção delirante, 2-Alucinações auditivas, 3- Eco do pensamento ou sonorização do pensamento, 4-  Difusão do pensamento,5-  Roubo do pensamento, 6- Vivências de influencia tanto corporal como ideativa formam o quadro sintomatológico clássico da patologia.

Os SPO de Schneider exerceram grande influência sobre a psiquiatria britânica, sobretudo na elaboração do diagnóstico de esquizofrenia pelo (PSE) Present State Examination. O PSE foi a base para o exame de pacientes com esquizofrenia em 9 países, o que deu origem ao Estudo Piloto Internacional da Esquizofrenia (International Pilot Study of Schizophrenia, IPSS). Este trabalho foi encabeçado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com o objetivo de aprofundar conhecimentos sobre a patologia e sua origem.

Nas últimas décadas, tem-se dado mais importância à diferenciação da esquizofrenia segundo os três subtipos apontados por Andreasen (1995), que partem da classificação através da apresentação de seus sintomas, que podem ser negativos, positivos ou desorganizados.

Segundo Dalgalarrondo (2008) na Síndrome Negativa os sintomas das psicoses esquizofrênicas se caracterizam pela perda de certas funções psíquicas e pelo empobrecimento global da vida afetiva, cognitiva e social do indivíduo. Já na Síndrome Positiva, caracteriza-se pela adição de novas manifestações (alucinações, ideias delirantes, agitação psicomotora, etc.) na vida do paciente, produtivas do processo esquizofrênico. A Síndrome Desorganizada, primeiramente designada como esquizofrenia hebefrênica, indica um alto grau de desorganização do indivíduo, tanto em nível de pensamento, que pode adquirir uma progressão totalmente incompreensível, como comportamental, com condutas sociais e sexuais inadequadas, até o afeto ambivalente.

Esquizofrenia e AT: Potências terapêuticas

A esquizofrenia é uma doença paradigmática da psiquiatria e uma síndrome clínica complexa que compreende manifestações psicopatológicas variadas, e que,até o presente momento em que escrevo este artigo, não possui cura. O diagnóstico de uma patologia como esta determina um impacto não somente sobre a história de vida do paciente, abrangendo e afetando, consequentemente, a família e o social em que estes estão inseridos. Com os preceitos da Reforma Psiquiátrica, um novo olhar sobre o normal e o patológico, começam a se destacar abordagens terapêuticas que visam proporcionar uma qualidade de vida ao sujeito em sofrimento psíquico.

Conhecidos pela dificuldade de adesão ao tratamento, além dos recursos limitantes de seu quadro clínico, os indivíduos esquizofrênicos também estão submetidos a diversas formas de preconceito, tais como o julgo social e o estigma aterrorizante da loucura. A má interpretação e compreensão da doença, tanto por parte do paciente quanto da família, dificultam muito o tratamento. Principalmente nos quadros de manifestações psicóticas, que requerem uma significativa adesão psicoterapêutica e regulação alopática.

A clínica do Acompanhamento Terapêutico, quando complementada psiquiátrica e psicologicamente, é de extrema efetividade visto que sua premissa trata-se de estimular a autonomia e a quebra de paradigmas a cerca do caráter limitante da patologia. A psicoeducação é uma estratégia utilizada pelo at para que o paciente compreenda sua condição, seus pontos positivos e possibilidades sem deixar-se dominar apenas pelo caráter negativo desta. Ao ter ciência sobre as medicações, sua administração e benefícios, um leque de possibilidades se abre ao paciente que deixa de se ver completamente subjugado pela doença. Para pacientes tão estigmatizados, como o são os esquizofrênicos, é fundamental a criação de um espaço de escuta que estimule à vinculação e sensação de coerência, uma vez que seu mundo não o aterra mais.

Mais do que ajudar o paciente a ampliar suas redes de relacionamento, o acompanhante terapêutico está focado em ajuda-lo a usufruir as oportunidades de troca presentes em sua realidade e contexto, aproveitando seu micro, meso e macrossistema social.

A maneira como se desenrola o AT está diretamente ligada ao modo de vida contemporâneo, visto que o cotidiano é transformado em ferramenta potente na promoção de saúde. Diferentemente de horas“x“ na semana do indivíduo em que ele se desloca de sua rotina e contexto para ir ao encontro do(a) psicoterapeuta/psiquiatra, apresentando apenas um relato de suas vivências para análise, o at (acompanhante terapêutico ) encontra-se junto ao paciente, imerso em sua realidade  podendo pontualmente direcioná-lo à uma solução imediata. O confrontamento momento-a-momento com as adversidades que atravessam o paciente, possibilita ao at ter uma compreensão diferenciada e aprofundada de seu mundo, vinculando-se de forma mais intensa.

O distanciamento e o embotamento afetivo, assim como a retração social, são fatores explorados pelo Acompanhamento Terapêutico, que utiliza-se de estratégias terapêuticas focadas no estabelecimento de vínculo e diminuição da ansiedade do paciente esquizofrênico, como por exemplo valendo-se da técnica do esgotamento da paranoia via discurso ou a técnica da mudança de perspectiva. Dentro das funções do at está o incentivo a novos desafios e experimentações, reforçar e desenvolver as capacidades do paciente, formar uma rede terapêutica com os demais profissionais potencializando sua eficácia, dar suporte à família solicitando, se necessário, a intervenção de um terapeuta de família e a adequação das estratégias do AT conforme a singularidade e especificidade das demandas pessoais do paciente.

Um dos grandes problemas do tratamento com o esquizofrênico é a sua adesão a este, e a elaboração de um plano assertivo que previna a sabotagem pelo próprio paciente, sendo um dos principais agravantes do prognóstico, devido ao aumento da margem de recaídas, hospitalização e surtos, o que diminuem ainda mais as funções psíquicas do paciente. Em situações de crise e desorganização, tanto pacientes como familiares beneficiam-se do AT, pois este tem como objetivo evitar ao máximo a internação, tanto hospitalar quanto domiciliar, e em casos inevitáveis, auxilia a torna-la uma experiência menos traumática para ambos.

Ressalto aqui a importância da presença e participação da família no tratamento do paciente, visto que quando um membro adoece, a família adoece consequentemente. Segundo Winnicott, “muitas famílias se desfazem devido à carga da psicose sobre um de seus membros, e que a maior parte dessas famílias provavelmente permaneceria unida se pudesse ser aliviada” de uma carga de tão alto e insuportável grau de sofrimento (WINNICCOTT, 1960, p. 90). A influência familiar possui um grau muito significativo, e caso não esteja preparada para as implicações e intervenções do AT, podem adotar uma postura sabotadora frente a estas, prejudicando e até mesmo agravando o quadro patológico da esquizofrenia.

O processo de reabilitação do paciente esquizofrênico compreende um “conjunto de ações que sejam capazes de lhes trazer uma melhor integração social, profissional, enfim, uma melhor qualidade de vida dentro dos limites que a doença impõe”. (LUOZÃ, ELKIS e cols. 2007, p. 254). A doença deve ser considerada a partir das implicações que traz à vida do indivíduo, a seus familiares e para a sociedade como um todo. Não é a estrutura psíquica que determina a doença, mas sim o estado de crise, um neurótico em crise está doente, um psicótico fora da crise pode não estar em estado doentio. Pois há psicóticos que lidam melhor com sua psicose do que neuróticos com sua neurose.

Conclusão

O Acompanhamento Terapêutico vem se desenvolvendo e se solidificando cada vez mais enquanto abordagem clínica. Sua significância tem sido evidenciada, cada vez mais no auxilio à ressocialização e autonomia de pacientes esquizofrênicos. A proposta ideológica do AT possibilita uma nova visão sobre a patologia, assim como a ruptura da ideologia arcaica da internação compulsória, que tanto ceifa e regride a vida do paciente, privando-o do convivo social. O at se faz presente como um amigo munido das técnicas e estratégias necessárias para estimular o paciente, servindo-lhe como um ego auxiliar até a reestruturação de sua organização psíquica.

Considero a prática do Acompanhamento Terapêutico como um leque de possibilidades, no qual o atendente e o atendido, juntos, constroem e delineiam espaços de criação. Estipulam objetivos e propostas que, gradualmente, capacitam o sujeito e lhe dão uma dimensão de futuro.  Tendo como pilar principal o fator da qualidade de vida, o AT não se apresenta de forma linear e engessada, e sim como uma alternativa aos métodos terapêuticos instituídos. Busca abranger de forma satisfatória os diversos campos e forças que atravessam o paciente, transformando-os em potentes ferramentas de promoção de saúde.

Bibliografia

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  11. PELLICCIOLI, Eduardo. O trabalho do Acompanhamento. Terapeutico em Grupo: Novas tecnologias na Rede Pública de Saúde. 2004. 109 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia)- Faculdade de Psicologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2004.
  12. WINNICCOTT, D. W. A família e o desenvolvimento individual. São Paulo, 1960.
  13. TOLOTTI, M. – O Acompanhamento terapêutico com psicóticos: Possibilidades e desafios. 2014.

Autora: Giulliana Oliveira Cardoso – Graduanda em Psicologia pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Formada no “Curso de Capacitação em Acompanhamento Terapêutico” CTDW. Fone: (51) 8242-8106. Facebook. E-mail: [email protected]

O Acompanhamento Terapêutico com esquizofrênicos: potências e benefícios da prática
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